SUMÁRIO
I- ANTECEDENTES
II- OBJECTIVOS
III- RESULTADOS ESPERADOS
IV- UTENTES E BENEFICIÁRIOS
V- ESTRATÉGIA
VI- SISTEMAS E EQUIPAMENTO
VII- OS SERVIÇOS DO TELECENTRO
VIII- RECURSOS HUMANOS
IX- INSTALAÇÕES
X- VIABILIDADE ECONÓMICA-FINANCEIRA
XI- RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL

XII- RISCOS

XIII- INVESTIGAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
XIV- PLANO DE TRABALHO

 
 
 

PROJECTO DE INSTALAÇÃO DE DOIS TELECENTROS-PILOTO NA PROVÍNCIA DE MAPUTO - MANHIÇA E NAMAACHA

Maputo, Abril 1998

O projecto

SUMÁRIO

Título do projecto: Instalação e operação de dois telecentros-piloto nas vilas de Manhiça e Namaacha

Data de início: Julho de 1998

Duração do projecto: 4 anos

Localização: Vilas de Manhiça e Namaacha, ambas na Província de Maputo

Proponente: Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM)

Orçamento total estimado (4 anos): USD 483.608

Contribuição solicitada ao IDRC: USD 346.756

Contribuição local: USD 136.852

Objectivos:

  1. Pôr em funcionamento e manter 1 telecentro em cada vila, de acordo com as conclusões do estudo de viabilidade;
  2. Averiguar a contribuição do telecentro ao desenvolvimento local em todas as suas vertentes;
  3. Testar o modelo instalado do ponto de vista da sua utilidade, grau de aceitação, viabilidade técnica e financeira e sustentabilidade;
  4. Identificar os serviços, equipamentos, tecnologias e aplicações mais apropriadas.

Resumo:

Este projecto é fruto de uma iniciativa conjunta do CIUEM e do "International Development Research Centre" (IDRC). Insere-se no âmbito das estratégias do Programa Acácia, e visa incentivar o desenvolvimento das zonas rurais através da disponibilização às comunidades de facilidades de acesso às novas tecnologias de informação e comunicação (TCIs). O ponto de partida para a elaboração do projecto é o estudo de viabilidade levado a cabo por uma equipa multidisciplinar coordenada pelo CIUEM. O estudo determinou os locais para os telecentros-piloto, e concluiu que existe interesse e procura por parte das comunidades locais.

O projecto prevê a preparação de infraestruturas, a aquisição e instalação de equipamento, e a gestão do telecentro durante um período de 4 anos. O pessoal do telecentro será recrutado localmente e treinado pelo CIUEM. Será criado, ao mesmo tempo, um Comité de Acompanhamento local, e ao longo do projecto estudar-se-á a futura propriedade do telecentro. Segundo o estudo de viabilidade económica, o telecentro poderá ser sustentável no fim de 5 anos a partir de receitas próprias e outros apoios angariados, mas não unicamente na base das receitas comerciais. O problema principal reside no valor dos investimentos a fazer e nas amortizações.

O telecentro oferece diversos serviços, desde acesso a "e-mail" e Internet, à reprografia e telefones públicos, e dá grande ênfase ao papel educativo e formativo. Com estratégias para conseguir o envolvimento dos mais desfavorecidos, pretende alcançar todas as camadas da sociedade. Uma componente importante do projecto é a investigação e avaliação, através da qual se pretendem produzir informações, de forma sistemática e objectiva, que poderão ser aplicadas aquando da massificação dos telecentros em Moçambique, e em outros países fazendo experiências semelhantes.

1. ANTECEDENTES

Moçambique está a implementar uma política sócio-económica que toma como pontos de partida o combate à pobreza e a consolidação da unidade nacional, conseguidos por via de um desenvolvimento equilibrado e sustentável. Um dos dez países mais pobres do mundo, agora goza da estabilidade e calma imprescindíveis para a reconstrução e o desenvolvimento. Na procura das formas mais adequadas de acelerar o desenvolvimento rural e reduzir os desequilíbrios existentes entre cidade e campo, a introdução e utilização das novas tecnologias de comunicação e informação (TCIs) surge como uma solução válida.

É neste contexto que a implantação de telecentros pelo país aparece como uma opção que poderá permitir o acesso às TCIs para largos sectores da sociedade fora das grandes cidades, de uma forma económica e sustentável.

O conceito de telecentro está actualmente em discussão em diversos países do mundo e no seio de organismos internacionais ligados a questões de desenvolvimento, comunicações e informação. Existem muitas ideias e hipóteses, mas em África ainda não há um corpo de experiência prática de instalação e operação deles. Por outro lado, embora cada país ou região tenha as suas necessidades e condições específicas, é claro que o intercâmbio de informações, metodologias e experiências entre os diversos intervenientes contribuirá para o sucesso do trabalho de todos eles, e daí para uma intervenção mais eficaz do telecentro no desenvolvimento nacional e local. A experiência de Moçambique será um contributo útil ao debate.

Em Moçambique a ideia do telecentro foi inicialmente abordada num Workshop organizado pelo CIUEM em Fevereiro de 1997, denominado Para uma Sociedade de Informação em Moçambique. Na sequência disto, o IDRC contratou o CIUEM para liderar uma equipa multidisciplinar na realização de um estudo de viabilidade visando o estabelecimento de dois telecentros-piloto. Os resultados deste estudo estão contidos na primeira parte do presente relatório, e as conclusões tiradas constituem o fundamento desta proposta concreta de acção: existem condições técnicas e materiais para se avançar com o projecto, e, mais importante, existe no seio das comunidades locais um leque de utentes potenciais e uma predisposição a favor do projecto.

Assim, a proposta que se segue toma como ponto de partida a informação e discussão apresentada no âmbito do estudo de viabilidade. Entretanto, para facilitar a análise, far-se-ão breves referências aos pontos mais relevantes, porém sem se entrar em pormenores.

Um aspecto que deve ser mencionado aqui é a importância de se tentar avançar com um terceiro telecentro-piloto, desta vez longe de Maputo, ainda durante a vigência do presente projecto, dado que permitiria a aplicação dos primeiros resultados tirados deste piloto, e ao mesmo tempo apresentaria outros desafios que terão que ser superados antes da implantação de telecentros em escala maior.

2. OBJECTIVOS

2.1. Objectivos gerais

  • Contribuir para o desenvolvimento de Manhiça e Namaacha, disponibilizando condições melhoradas de acesso aos instrumentos de comunicação, informação e educação.
  • Estudar e testar a utilidade e viabilidade do telecentro. Reduzir o desequilíbrio existente entre as grandes cidades e o resto do país no acesso a conhecimentos e a capacidade de produzir e disseminar informação.
  • Contribuir para a consolidação da comunidade local e para a estabilização da população, nomeadamente, os jovens.
  • Melhorar a qualidade dos serviços prestados pela administração pública e pelo sector privado e contribuir para o processo de descentralização.

2.2. Objectivos específicos

  • Instalar e pôr em funcionamento dois telecentros em Manhiça e Namaacha, respectivamente, dando acesso ao telefone, fax, correio electrónico, Internet, utilização de computador, impressão e fotocópias.
  • Treinar os utentes na utilização de computadores, priorizando alunos e docentes dos últimos anos do ensino secundário, representantes da sociedade civil e cidadãs e cidadãos dos grupos mais marginalizados.
  • Apoiar a gestão dos telecentros ao longo de 4 anos, procurando uma crescente auto-sustentabilidade.
  • Medir a qualidade e relevância dos serviços prestados pelo telecentro.
  • Avaliar o impacto do telecentro no seio dos grupos alvo - o sector de educação, a administração pública, entidades da sociedade civil, agentes económicos - e na comunidade em geral.
  • Testar equipamentos, sistemas, programas e outro material utilizado na óptica do utente e do ponto de vista da qualidade e durabilidade.
  • Criar um corpo de conteúdos informativos correspondente às necessidades e aos desejos dos utentes.
 
 
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  Última actualização: 15 de Fevereiro de 2002
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