SUMÁRIO
I- ANTECEDENTES
II- OBJECTIVOS
III- RESULTADOS ESPERADOS
IV- UTENTES E BENEFICIÁRIOS
V- ESTRATÉGIA
VI- SISTEMAS E EQUIPAMENTO
VII- OS SERVIÇOS DO TELECENTRO
VIII- RECURSOS HUMANOS
IX- INSTALAÇÕES
X- VIABILIDADE ECONÓMICA-FINANCEIRA
XI- RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL

XII- RISCOS

XIII- INVESTIGAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
XIV- PLANO DE TRABALHO

 
 
 

PROJECTO DE INSTALAÇÃO DE DOIS TELECENTROS-PILOTO NA PROVÍNCIA DE MAPUTO - MANHIÇA E NAMAACHA

Maputo, Abril 1998

O projecto

3. RESULTADOS ESPERADOS

  • Dois telecentros em funcionamento, técnica e economicamente sustentáveis depois da conclusão dos 4 anos da fase piloto.
  • Pessoal local treinado para poder dar continuidade ao trabalho, e uma entidade definida que passará a responsibilizar-se pelo telecentro.
  • Nas zonas de influência dos telecentros, acesso alargado e equitativo às TCIs, e através delas à informação e conhecimentos.
  • Demonstração de um modelo de comunicação (informações, expediente, contactos familiares, etc) mais eficaz e económico que os meios actualmente em uso.
  • Largos números de jovens com conhecimentos básicos de informática, e acesso à informação e conhecimentos complementares aos materiais de ensino formal.
  • Qualidade melhorada dos serviços prestados pela administração pública e pelo sector privado.
  • Instituições da sociedade civil mais capacitadas para comunicar horizontal e verticalmente, e para se fazerem ouvir a nível local e nacional.
  • Bases criadas a partir das quais a utilização de outras tecnologias possa ser introduzida sem sobressaltos, por ex. ensino formal à distância, telemedicina, um ISP local, etc.
  • Um corpo de experiência adquirido pelo CIUEM e outras entidades intervenientes que permitirá a necessária adaptação das metodologias e modelos, e a consequente instalação de telecentros em larga escala em bases mais sólidas.
  • A sistematização destas experiências em relatórios periódicos, como contribuição moçambicana à discussão internacional sobre o papel de TCIs no desenvolvimento.

4. UTENTES E BENEFICIÁRIOS

No modelo de telecentro que se pretende implementar (ver capítulo III do estudo), os seus serviços são abertos ao público, e neste sentido toda a população é utente potencial. No entanto, para efeitos práticos define-se como utentes imediatos alguns grupos-alvo que terão maior capacidade e interesse em dominar as novas técnicas e tirar proveito delas. Entre estes grupos constam docentes e alunos; agentes económicos; a administração local e os sectores de educação, saúde e agricultura; profissionais destes e de outros sectores; associações, organizações e ONGs locais, nacionais e estrangeiras. A estes grupos permanentes devem-se acrescentar utentes em trânsito: visitantes e turistas, jornalistas, empresários e investidores, etc. Ao longo do tempo procurar-se-á fomentar o acesso às TCIs de um número crescente de utentes oriundo de todos os grupos populacionais, dando uma atenção particular às necessidades dos jovens que já deixaram de estudar.

Os beneficiários indirectos são todos os que vão usufruir dos efeitos do telecentro, num efeito multiplicador, sem serem utentes eles próprios. Aqui incluem-se os trabalhadores das empresas ou entidades utentes; os membros das associações; as famílias dos alunos; os doentes que receberão um tratamento melhor graças às informações da Internet; etc. A contribuição do telecentro no desenvolvimento económico geral beneficiará a comunidade no seu todo. Uma via importante para levar os benefícios aos grupos mais marginalizados são as escolas e os centros de formação locais. Por exemplo, as mulheres pobres deverão beneficiar em grande medida dos novos conhecimentos dos seus filhos. Outro grupo de beneficiários é constituído por quem beneficiará desta experiência piloto. Em primeiro lugar, os futuros utentes e beneficiários de novos telecentros a estabelecer; em segundo lugar o CIUEM e a UEM em geral, que ganharão experiência relevante na área de aplicação de tecnologias, ensino à distância, desenvolvimento de conteúdos, etc; e por último o Programa Acácia do IDRC e outras entidades pelo mundo fora empenhadas em actividades semelhantes.

5. ESTRATÉGIA

O sucesso do telecentro dependerá de uma acção conjugada a todos os níveis, e de uma forte componente de participação local. Outro elemento imprescindível é a capacidade de fornecer serviços considerados relevantes a nível da comunidade. Assim, a metodologia será de desenvolver o projecto por passos incrementais, garantindo em cada momento o envolvimento e engajamento de todas as partes interessadas. Esta estratégia permite um avanço imediato com a instalação e entrada em funcionamento dos dois telecentros, numa escala relativamente pequena, e a flexibilidade necessária para introduzir novas actividades, serviços ou equipamentos ou adaptar os métodos de trabalho em função dos resultados.

O objectivo final é de assegurar que o telecentro venha a ser assumido como um bem útil da comunidade, e não um projecto vindo de fora.

A nível local, para além do pessoal do telecentro (1 gestor, 1 assistente, 1 guarda), haverá um Comité de Acompanhamento. Este Comité terá a missão de apoiar o gestor nas suas iniciativas, acompanhar o funcionamento do telecentro e propôr acções de rectificação ou melhoria, e participar na elaboração do plano de actividades do telecentro, incluindo a promoção dos seus serviços, contactos com potenciais utentes, e a angariação de contratos, patrocínios e outras fontes de receitas. Será um elo de ligação importante entre o telecentro e a comunidade, e entre esta e os gestores do projecto a nível central. Participarão no Comité pessoas tais como o director da escola secundária, o representante da TDM, um representante da administração, alguns utentes mais importantes ou activos e organizações representativas da sociedade civil.

A nível provincial, será necessário garantir o envolvimento do governo provincial, da TDM e EDM, e das Direcções Provinciais com mais capacidade de utilizar os serviços do telecentro, quer para efeitos de comunicações, quer para o desenvolvimento das suas actividades nos distritos abrangidos. Estas Direcções devem incluir as do MAE, MINED, MISAU e MAP.

A nível central, é fundamental conservar a abordagem multidisciplinar iniciada para o estudo de viabilidade. O CIUEM deve gerir o projecto, entanto que piloto, assegurando o apoio e acompanhamento necessário. Para tal, criará um grupo de trabalho permanente envolvendo técnicos seus, elementos de outros sectores da UEM, TDM e os demais especialistas considerados úteis. Esta equipa garantirá o acompanhamento das actividades dos telecentros de perto, e dará apoio nas áreas técnica, administrativa e financeira. Também será responsável pela elaboração e implementação de um plano de investigação e de avaliações regulares. Caberá ao MAAC ("Mozambique Acacia Advisory Committee") assegurar que o desenvolvimento do projecto se enquadre plenamente dentro da estratégia nacional de informática.

O projecto piloto tem dois grupos de objectivos interdependentes, a serem realizados em paralelo. Por um lado, estabelecer um telecentro em bases sólidas, num modelo que é potencialmente sustentável e replicável técnica e financeiramente, e que atinge os objectivos pretendidos em termos do seu impacto local. Por outro lado, utilizar estes telecentros para a realização de estudos e investigações visando melhorar a qualidade do trabalho do telecentro, determinar as necessidades dos utentes e testar diversos equipamentos e modalidades de "software". Será a tarefa do grupo de trabalho permanente assegurar a conjugação eficaz e produtiva destes objectivos.

6. SISTEMAS E EQUIPAMENTO

6.1. Sistema eléctrico

Como foi descrito nos capítulos anteriores, o sistema eléctrico em Namaacha e Manhiça é deficiente. Isso se agrava quando o telecentro partilha instalações com outras instituições onde a distribuição de potências e o estado de instalação eléctrica estão fora dos parâmetros recomendados. O sistema eléctrico dos telecentros será como se segue na descrição abaixo:

a) Sistema de alimentação

  • Para melhorar o sistema eléctrico do telecentro deverá ser instalado um circuito eléctrico independente com terra de protecção.
  • Os equipamentos serão alimentados através de upSs e "surge protectors" para a estabilização de corrente.
  • Serão aplicadas tomadas monofásicas com terra tipo "shuck", por este ser o padronizado para o país.
  • Devido aos seus elevados custos, não se justifica implementar, numa primeira fase, sistemas alternativos de energia.
  • Durante as visitas de campo constatou-se que têm ocorrido cortes de energia, mas que em geral é restabelecida em menos de 24 horas.
  • A autonomia dos upSs especificados é de 15 minutos, tempo suficiente para gravar os documentos, abandonar os programas e executar o "shutdown" do equipamento.

b) Sistema de iluminação

Ao sistema normal de iluminação serão acrescidas lâmpadas de emergência colocadas em locais críticos tais como na saída, na sala onde se encontram os computadores e perto do local do trabalho do gestor.Estas lâmpadas permitirão que, caso haja corte de energia a noite, numa altura em que existem pessoas no telecentro, as operações de desligamento das máquinas, arrumação mínima e a saida do telecentro sejam feitas com a máxima segurança. Normalmente, as lâmpadas de emergência têm autonomia que pode ir até mais que uma hora.

6.2. Sistema de telecomunicações

Será usada a rede pública de telecomunicações gerida pela TDM (ver anexo 13). O sistema de telecomunicações do telecentro será composto por:

  • 1 linha para fax ( também será usada para as chamadas do gestor)
  • 1 linha para o telefone público localizado no interior do telecentro
  • 1 linha para "e-mail" e Internet

Todas as linhas deverão ser multifrequenciais. A largura de banda oferecida pelos circuitos da TDM que ligam os referidos distritos é de 4khz; até a altura de implementação do telecentro estarão em funcionamento centrais digitais. Todo o equipamento de telecomunicações será conectado à rede eléctrica e de telecomunicações através de "surge protectors" que o protegerão contra os possíveis picos de tensão provenientes tanto da energia eléctrica como da linha telefónica.

6.3. Sistema informático

O sistema informático será composto pelo seguinte (ver anexo 14 para as especificações detalhadas):

  • 4 computadores (3 para uso público e 1 para o gestor)
  • 1 modem
  • 2 impressoras
  • 4 upSs
  • Equipamento e componentes da rede de computadores
  • Respectivos acessórios

Todos os computadores numa primeira fase serão IBM compatível, com sistemas operativos Ms-Windows 95, Windows NT e as seguintes aplicações fundamentais:

  • Internet browser
  • Programa para "e-mail"
  • Ms-Office 97

Além dos pacotes fundamentais colocar-se-ão"software" em algumas máquinas para aplicações específicas, por exemplo Page Maker, Photoshop, jogos, material educacional, Web editor, etc.

O equipamento estará ligado em rede para permitir a comunicação entre si e a partilha da linha telefónica e do sistema de "e-mail". A partilha da linha telefónica será feita usando o "Internet Sharing Hub", um dispositivo que permite que vários computadores partilhem uma mesma linha telefónica. Para que haja acesso a "e-mail"/Internet a partir de qualquer dos quatro computadores da rede em simultâneo, um dos quatro computadores será configurado como "mail box" para todos os utilizadores da rede, podendo ser usado também para qualquer outra aplicação.

Uma linha telefónica dedicada para os dois telecentros será instalada no CIUEM com o respectivo modem, com vista a garantir acesso fácil. O número de linhas poderá crescer de acordo com a demanda dos telecentros.

O sistema operativo para a rede de computadores será Windows NT, por este ter mais segurança em relação a Windows 95 e ser compatível também a este, podendo correr todas as aplicações do Windows 95. Os computadores serão configurados de modo que alberguem os dois sistemas operativos (Windows 95 e Windows NT), podendo ser comutado para um ou outro de acordo com a necessidade. A configuração do Windows NT será feita de modo a que nem os utilizadores nem o gestor do telecentro (numa primeira fase) tenham acesso a certos ficheiros considerados críticos, como forma de evitar avarias provocadas pela desconfiguração dos sistemas.

Para o registo de utilizadores haverá dois níveis: o nível do telecentro onde o operador irá introduzir os dados do utilizador no "mail box", que posteriormente serão enviados via "e-mail" para o CIUEM; e o nível do CIUEM, onde o administrador do sistema terá que introduzir os dados recebidos do telecentro.

Para reduzir a vulnerabilidade do sistema a avarias, serão tomadas várias medidas, entre as quais se destacam:

  • A manutenção preventiva do "software" e "hardware"
  • Backup do "mail server" para permitir que em caso de avaria deste, seja substituído por um outro computador onde será restaurada a informação do "mail server"
  • Em caso de avaria da rede local o "mail server" poderá ser configurado e conectado directamente ao modem, para permitir que os utentes tenham acesso ao "e-mail" enquanto o problema se resolve; os outros computadores podem ser usados em "stand alone" para aceder a outras aplicações
  • O telecentro prevê um orçamento para peças e manutenção, que será usado para a compra de componentes que possam avariar e que não tenham reparação

A escolha de computador foi feita de modo a permitir um rápido processamento e acesso a informação, e possíveis "upgrades", enquanto que o modem foi especificado de modo a permitir uma maior velocidade de transmissão de dados, visto isto ser um factor importante na redução dos custos e na facilidade de uso da Internet. Apenas os computadores estarão conectados à linha eléctrica através de upSs; todos os outros equipamentos estarão protegidos de variações de energia através de "surge protectors".

6.4. Manutenção

Para garantir boa operacionalidade e a longevidade dos sistemas e equipamento do telecentro deverão ser feitos dois tipos de manutenção permanente:

  • Manutenção preventiva ou de rotina
  • Manutenção correctiva

Para cada tipo de manutenção haverá um nível que será executado pelo telecentro, e um nível mais avançado reservado para empresas especializadas do ramo. Um dos funcionários do telecentro será treinado para realizar a primeira linha de manutenção tanto preventiva como correctiva. Os problemas que não puderem ser resolvidos localmente pelo telecentro deverão ser canalizados às entidades competentes, por exemplo:

  • EDM - Sistema eléctrico
  • TDM - Sistema de telecomunicações
  • CIUEM - Sistemas informáticos, incluindo programas e sistemas de "e-mail" e Internet
  • Agentes/fornecedores ou empresas especializadas - Outro equipamento

No primeiro ano, o equipamento será coberto por garantias. Sempre que fôr possível, o relacionamento com as entidades de manutenção deverá ser feito através de um contrato de prestação de serviços.

 
 
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  Última actualização: 15 de Fevereiro de 2002
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