PROJECTO DE INSTALAÇÃO DE DOIS TELECENTROS-PILOTO
NA PROVÍNCIA DE MAPUTO - MANHIÇA E NAMAACHA
Maputo,
Abril 1998
O
projecto
3.
RESULTADOS ESPERADOS
- Dois
telecentros em funcionamento, técnica e economicamente sustentáveis
depois da conclusão dos 4 anos da fase piloto.
- Pessoal
local treinado para poder dar continuidade ao trabalho, e uma entidade
definida que passará a responsibilizar-se pelo telecentro.
- Nas
zonas de influência dos telecentros, acesso alargado e equitativo às
TCIs, e através delas à informação e conhecimentos.
- Demonstração
de um modelo de comunicação (informações, expediente, contactos familiares,
etc) mais eficaz e económico que os meios actualmente em uso.
- Largos
números de jovens com conhecimentos básicos de informática, e acesso
à informação e conhecimentos complementares aos materiais de ensino
formal.
- Qualidade
melhorada dos serviços prestados pela administração pública e pelo sector
privado.
-
Instituições da sociedade civil mais capacitadas para comunicar horizontal
e verticalmente, e para se fazerem ouvir a nível local e nacional.
- Bases
criadas a partir das quais a utilização de outras tecnologias possa
ser introduzida sem sobressaltos, por ex. ensino formal à distância,
telemedicina, um ISP local, etc.
- Um
corpo de experiência adquirido pelo CIUEM e outras entidades intervenientes
que permitirá a necessária adaptação das metodologias e modelos, e a
consequente instalação de telecentros em larga escala em bases mais
sólidas.
- A
sistematização destas experiências em relatórios periódicos, como contribuição
moçambicana à discussão internacional sobre o papel de TCIs no desenvolvimento.
4. UTENTES E BENEFICIÁRIOS
No modelo de telecentro que se pretende implementar (ver capítulo III do
estudo), os seus serviços são abertos ao público, e neste sentido toda a
população é utente potencial. No entanto, para efeitos práticos define-se
como utentes imediatos alguns grupos-alvo que terão maior capacidade e interesse
em dominar as novas técnicas e tirar proveito delas. Entre estes grupos
constam docentes e alunos; agentes económicos; a administração local e os
sectores de educação, saúde e agricultura; profissionais destes e de outros
sectores; associações, organizações e ONGs locais, nacionais e estrangeiras.
A estes grupos permanentes devem-se acrescentar utentes em trânsito: visitantes
e turistas, jornalistas, empresários e investidores, etc. Ao longo do tempo
procurar-se-á fomentar o acesso às TCIs de um número crescente de utentes
oriundo de todos os grupos populacionais, dando uma atenção particular às
necessidades dos jovens que já deixaram de estudar.
Os
beneficiários indirectos são todos os que vão usufruir dos efeitos do telecentro,
num efeito multiplicador, sem serem utentes eles próprios. Aqui incluem-se
os trabalhadores das empresas ou entidades utentes; os membros das associações;
as famílias dos alunos; os doentes que receberão um tratamento melhor graças
às informações da Internet; etc. A contribuição do telecentro no desenvolvimento
económico geral beneficiará a comunidade no seu todo. Uma via importante
para levar os benefícios aos grupos mais marginalizados são as escolas e
os centros de formação locais. Por exemplo, as mulheres pobres deverão beneficiar
em grande medida dos novos conhecimentos dos seus filhos. Outro grupo de
beneficiários é constituído por quem beneficiará desta experiência piloto.
Em primeiro lugar, os futuros utentes e beneficiários de novos telecentros
a estabelecer; em segundo lugar o CIUEM e a UEM em geral, que ganharão experiência
relevante na área de aplicação de tecnologias, ensino à distância, desenvolvimento
de conteúdos, etc; e por último o Programa Acácia do IDRC e outras entidades
pelo mundo fora empenhadas em actividades semelhantes.
5. ESTRATÉGIA
O
sucesso do telecentro dependerá de uma acção conjugada a todos os níveis,
e de uma forte componente de participação local. Outro elemento imprescindível
é a capacidade de fornecer serviços considerados relevantes a nível da comunidade.
Assim, a metodologia será de desenvolver o projecto por passos incrementais,
garantindo em cada momento o envolvimento e engajamento de todas as partes
interessadas. Esta estratégia permite um avanço imediato com a instalação
e entrada em funcionamento dos dois telecentros, numa escala relativamente
pequena, e a flexibilidade necessária para introduzir novas actividades,
serviços ou equipamentos ou adaptar os métodos de trabalho em função dos
resultados.
O
objectivo final é de assegurar que o telecentro venha a ser assumido como
um bem útil da comunidade, e não um projecto vindo de fora.
A
nível local, para além do pessoal do telecentro (1 gestor, 1 assistente,
1 guarda), haverá um Comité de Acompanhamento. Este Comité terá a missão
de apoiar o gestor nas suas iniciativas, acompanhar o funcionamento do telecentro
e propôr acções de rectificação ou melhoria, e participar na elaboração
do plano de actividades do telecentro, incluindo a promoção dos seus serviços,
contactos com potenciais utentes, e a angariação de contratos, patrocínios
e outras fontes de receitas. Será um elo de ligação importante entre o telecentro
e a comunidade, e entre esta e os gestores do projecto a nível central.
Participarão no Comité pessoas tais como o director da escola secundária,
o representante da TDM, um representante da administração, alguns utentes
mais importantes ou activos e organizações representativas da sociedade
civil.
A nível provincial, será necessário garantir o envolvimento do governo provincial,
da TDM e EDM, e das Direcções Provinciais com mais capacidade de utilizar
os serviços do telecentro, quer para efeitos de comunicações, quer para
o desenvolvimento das suas actividades nos distritos abrangidos. Estas Direcções
devem incluir as do MAE, MINED, MISAU e MAP.
A
nível central, é fundamental conservar a abordagem multidisciplinar iniciada
para o estudo de viabilidade. O CIUEM deve gerir o projecto, entanto que
piloto, assegurando o apoio e acompanhamento necessário. Para tal, criará
um grupo de trabalho permanente envolvendo técnicos seus, elementos de outros
sectores da UEM, TDM e os demais especialistas considerados úteis. Esta
equipa garantirá o acompanhamento das actividades dos telecentros de perto,
e dará apoio nas áreas técnica, administrativa e financeira. Também será
responsável pela elaboração e implementação de um plano de investigação
e de avaliações regulares. Caberá ao MAAC ("Mozambique Acacia Advisory Committee")
assegurar que o desenvolvimento do projecto se enquadre plenamente dentro
da estratégia nacional de informática.
O projecto piloto tem dois grupos de objectivos interdependentes, a serem
realizados em paralelo. Por um lado, estabelecer um telecentro em bases
sólidas, num modelo que é potencialmente sustentável e replicável técnica
e financeiramente, e que atinge os objectivos pretendidos em termos do seu
impacto local. Por outro lado, utilizar estes telecentros para a realização
de estudos e investigações visando melhorar a qualidade do trabalho do telecentro,
determinar as necessidades dos utentes e testar diversos equipamentos e
modalidades de "software". Será a tarefa do grupo de trabalho permanente
assegurar a conjugação eficaz e produtiva destes objectivos.
6.
SISTEMAS E EQUIPAMENTO
6.1.
Sistema eléctrico
Como
foi descrito nos capítulos anteriores, o sistema eléctrico em Namaacha e
Manhiça é deficiente. Isso se agrava quando o telecentro partilha instalações
com outras instituições onde a distribuição de potências e o estado de instalação
eléctrica estão fora dos parâmetros recomendados. O sistema eléctrico dos
telecentros será como se segue na descrição abaixo:
a)
Sistema de alimentação
- Para
melhorar o sistema eléctrico do telecentro deverá ser instalado um circuito
eléctrico independente com terra de protecção.
- Os
equipamentos serão alimentados através de upSs e "surge protectors"
para a estabilização de corrente.
- Serão
aplicadas tomadas monofásicas com terra tipo "shuck", por este ser o
padronizado para o país.
-
Devido aos seus elevados custos, não se justifica implementar, numa
primeira fase, sistemas alternativos de energia.
- Durante
as visitas de campo constatou-se que têm ocorrido cortes de energia,
mas que em geral é restabelecida em menos de 24 horas.
- A
autonomia dos upSs especificados é de 15 minutos, tempo suficiente para
gravar os documentos, abandonar os programas e executar o "shutdown"
do equipamento.
b)
Sistema de iluminação
Ao
sistema normal de iluminação serão acrescidas lâmpadas de emergência colocadas
em locais críticos tais como na saída, na sala onde se encontram os computadores
e perto do local do trabalho do gestor.Estas
lâmpadas permitirão que, caso haja corte de energia a noite, numa altura
em que existem pessoas no telecentro, as operações de desligamento das máquinas,
arrumação mínima e a saida do telecentro sejam feitas com a máxima segurança.
Normalmente, as lâmpadas de emergência têm autonomia que pode ir até mais
que uma hora.
6.2. Sistema de telecomunicações
Será
usada a rede pública de telecomunicações gerida pela TDM (ver anexo 13).
O sistema de telecomunicações do telecentro será composto por:
- 1
linha para fax ( também será usada para as chamadas do gestor)
- 1
linha para o telefone público localizado no interior do telecentro
- 1
linha para "e-mail" e Internet
Todas
as linhas deverão ser multifrequenciais. A largura de banda oferecida pelos
circuitos da TDM que ligam os referidos distritos é de 4khz; até a altura
de implementação do telecentro estarão em funcionamento centrais digitais.
Todo o equipamento de telecomunicações será conectado à rede eléctrica e
de telecomunicações através de "surge protectors" que o protegerão contra
os possíveis picos de tensão provenientes tanto da energia eléctrica como
da linha telefónica.
6.3.
Sistema informático
O
sistema informático será composto pelo seguinte (ver anexo 14 para as especificações
detalhadas):
- 4
computadores (3 para uso público e 1 para o gestor)
- 1
modem
- 2
impressoras
- 4
upSs
-
Equipamento e componentes da rede de computadores
-
Respectivos acessórios
Todos os computadores numa primeira fase serão IBM compatível, com sistemas
operativos Ms-Windows 95, Windows NT e as seguintes aplicações fundamentais:
-
Internet browser
- Programa
para "e-mail"
- Ms-Office
97
Além
dos pacotes fundamentais colocar-se-ão"software" em algumas máquinas para
aplicações específicas, por exemplo Page Maker, Photoshop, jogos, material
educacional, Web editor, etc.
O equipamento estará ligado em rede para permitir a comunicação entre si
e a partilha da linha telefónica e do sistema de "e-mail". A partilha da
linha telefónica será feita usando o "Internet Sharing Hub", um dispositivo
que permite que vários computadores partilhem uma mesma linha telefónica.
Para que haja acesso a "e-mail"/Internet a partir de qualquer dos quatro
computadores da rede em simultâneo, um dos quatro computadores será configurado
como "mail box" para todos os utilizadores da rede, podendo ser usado também
para qualquer outra aplicação.
Uma
linha telefónica dedicada para os dois telecentros será instalada no CIUEM
com o respectivo modem, com vista a garantir acesso fácil. O número de linhas
poderá crescer de acordo com a demanda dos telecentros.
O
sistema operativo para a rede de computadores será Windows NT, por este
ter mais segurança em relação a Windows 95 e ser compatível também a este,
podendo correr todas as aplicações do Windows 95. Os computadores serão
configurados de modo que alberguem os dois sistemas operativos (Windows
95 e Windows NT), podendo ser comutado para um ou outro de acordo com a
necessidade. A configuração do Windows NT será feita de modo a que nem os
utilizadores nem o gestor do telecentro (numa primeira fase) tenham acesso
a certos ficheiros considerados críticos, como forma de evitar avarias provocadas
pela desconfiguração dos sistemas.
Para
o registo de utilizadores haverá dois níveis: o nível do telecentro onde
o operador irá introduzir os dados do utilizador no "mail box", que posteriormente
serão enviados via "e-mail" para o CIUEM; e o nível do CIUEM, onde o administrador
do sistema terá que introduzir os dados recebidos do telecentro.
Para
reduzir a vulnerabilidade do sistema a avarias, serão tomadas várias medidas,
entre as quais se destacam:
- A
manutenção preventiva do "software" e "hardware"
- Backup
do "mail server" para permitir que em caso de avaria deste, seja substituído
por um outro computador onde será restaurada a informação do "mail server"
- Em
caso de avaria da rede local o "mail server" poderá ser configurado
e conectado directamente ao modem, para permitir que os utentes tenham
acesso ao "e-mail" enquanto o problema se resolve; os outros computadores
podem ser usados em "stand alone" para aceder a outras aplicações
-
O telecentro prevê um orçamento para peças e manutenção, que será usado
para a compra de componentes que possam avariar e que não tenham reparação
A
escolha de computador foi feita de modo a permitir um rápido processamento
e acesso a informação, e possíveis "upgrades", enquanto que o modem foi
especificado de modo a permitir uma maior velocidade de transmissão de dados,
visto isto ser um factor importante na redução dos custos e na facilidade
de uso da Internet. Apenas os computadores estarão conectados à linha eléctrica
através de upSs; todos os outros equipamentos estarão protegidos de variações
de energia através de "surge protectors".
6.4.
Manutenção
Para garantir boa operacionalidade e a longevidade dos sistemas e equipamento
do telecentro deverão ser feitos dois tipos de manutenção permanente:
- Manutenção
preventiva ou de rotina
- Manutenção
correctiva
Para
cada tipo de manutenção haverá um nível que será executado pelo telecentro,
e um nível mais avançado reservado para empresas especializadas do ramo.
Um
dos funcionários do telecentro será treinado para realizar a primeira linha
de manutenção tanto preventiva como correctiva. Os problemas que não puderem
ser resolvidos localmente pelo telecentro deverão ser canalizados às entidades
competentes, por exemplo:
- EDM
- Sistema eléctrico
- TDM
- Sistema de telecomunicações
- CIUEM
- Sistemas informáticos, incluindo programas e sistemas de "e-mail"
e Internet
-
Agentes/fornecedores ou empresas especializadas - Outro equipamento
No
primeiro ano, o equipamento será coberto por garantias. Sempre que fôr possível,
o relacionamento com as entidades de manutenção deverá ser feito através
de um contrato de prestação de serviços.