SUMÁRIO
I- ANTECEDENTES
II- OBJECTIVOS
III- RESULTADOS ESPERADOS
IV- UTENTES E BENEFICIÁRIOS
V- ESTRATÉGIA
VI- SISTEMAS E EQUIPAMENTO
VII- OS SERVIÇOS DO TELECENTRO
VIII- RECURSOS HUMANOS
IX- INSTALAÇÕES
X- VIABILIDADE ECONÓMICA-FINANCEIRA
XI- RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL

XII- RISCOS

XIII- INVESTIGAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
XIV- PLANO DE TRABALHO

 
 
 

PROJECTO DE INSTALAÇÃO DE DOIS TELECENTROS-PILOTO NA PROVÍNCIA DE MAPUTO - MANHIÇA E NAMAACHA

Maputo, Abril 1998

O projecto

13. INVESTIGAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO

O projecto piloto, por inerência, inclui uma componente importante de investigação, que pode ser dividida em duas áreas principais: contribuições para a avaliação global do projecto, e contribuições para a testagem e avaliação específica de diversos elementos práticos. Entretanto, a avaliação não é feita unicamente através de pesquisas, e o acompanhamento tem a ver com ambas e com o sucesso do próprio projecto.
Por isso, optou-se por elaborar as linhas gerais de um único plano de acção que cobre de forma conjugada toda a problemática de investigação, acompanhamento e avaliação. O orçamento para este plano será gerido pelo CIUEM, e deve ser considerado em separado do dos telecentros, por não ser legítimo obrigar o telecentro a suportar esta carga "extra" no âmbito do seu plano de viabilização.
O objectivo global é de dar apoio directo ao telecentro, avaliar o seu desempenho e o impacto sócio-económico, verificar o seu grau de sustentabilidade, identificar possíveis caminhos para o desenvolvimento dos serviços e tecnologias disponibilizadas, aprender lições que possam ser úteis na planificação e operação de telecentros numa escala maior, e avaliar a metodologia utilizada na implementação do projecto piloto. A metodologia é orientada para investigação-acção, com o propósito de introduzir corecções e ajustes ao longo do projecto piloto, para além de aprender para o futuro.
Não é fácil encontrar instrumentos que permitam uma boa medição do impacto de informação e comunicação no desenvolvimento, porque exige uma perspectiva larga e a longo prazo, não podendo ser reduzido a simples indicadores de desempenho quantitativos. Por isso, considera-se que a experiência a realizar nesta área constituirá mais um "output" do projecto, cujos resultados poderão contribuir para um enriquecimento dos conhecimentos nesta área a nível nacional e internacional.
Os aspectos a considerar são, grosso modo: "inputs" (investimentos, formação), "outputs" (também quantitativos), "outcomes" (consequências) e impactos (mais a longo prazo). Estes últimos são os mais difíceis de medir, por exemplo, actividades desenvolvidas que não teriam acontecido sem o telecentro. Não se devem focar unicamente os sucessos e descurar a análise dos problemas e suas causas.

13.1. Acompanhamento

Os moldes do acompanhamento a efectuar são descritos no ponto 10, acima, referente à responsabilidade institucional. O CIUEM responsabilizar-se-á pela realização de visitas de apoio regulares aos telecentros - no início, bimensais e diminuindo ao longo do projecto - e garantirá o necessário apoio técnico e de formação. Os vários departamentos do CIUEM vão disponibilizar suporte e conselhos nas suas áreas de especialidade via "e-mail", telefone e contactos directos. A equipe do CIUEM servirá de elo de ligação entre o telecentro e estruturas centrais e parceiros externos.
Os "inputs" do CIUEM neste capítulo são essencialmente recursos humanos, despesas com formação, despesas administrativas gerais e despesas com deslocações para os telecentros.

13.2. Investigação

Não é possível nesta fase detalhar todas as acções a implementar ao longo do projecto, dado que em parte devem ser definidas em função da evolução do trabalho e dos problemas encontrados. Propõe-se que se elabore um plano detalhado durante os primeiros 6 meses do projecto, para arrancar logo após o arranque dos próprios telecentros.
No entanto, pode-se desde já indicar as áreas de interesse que têm sido identificadas.

a) Contribuições para a avaliação global do projecto

A realização de uma avaliação qualitativa do funcionamento e impacto do telecentro implica um trabalho de investigação contínuo. Aliás, esta actividade deverá continuar para além da vida de um projecto piloto, para poder estudar os resultados do telecentro a médio e longo prazos.
O objecto da pesquisa é de procurar saber até que ponto o telecentro está a cumprir as funções previstas e de que forma, e as razões do seu não cumprimento, se fôr o caso. Assim, os indicadores e objectos de estudo devem ser directamente ligados com os objectivos do telecentro, incluindo a identificação de potenciais áreas de intervenção não consideradas no presente projecto.
Neste contexto, as investigações a realizar devem focar em primeiro lugar o impacto do telecentro na comunidade e no desenvolvimento local, na melhoria das vidas dos seus utentes, e os efeitos multiplicadores para os não utentes. Para tal, será preciso encontrar respostas a perguntas tais como:

  • quem utiliza o telecentro, para quê?

    • grupos-alvo, equidade, género, sector público ou privado, sociedade civil

  • quem não utiliza o telecentro, e porque?

  • raio de influência do telecentro

  • grau de satisfação dos utentes, entidades locais e não utentes

    • satisfação em comparação com alternativas de comunicação

  • impacto/benefícios em diferentes segmentos da comunidade

    • necessidades específicas das mulheres

    • acesso a conhecimentos e informação, aprendizagem de computadores, utilização feita destes benefícios

    • substituição de métodos antigos pelas novas tecnologias

    • novas actividades/outputs/atitudes que seriam impossíveis sem o telecentro

  • outros serviços de interesse

E daí:

  • grau de inserção e impacto no plano de desenvolvimento local

    • estabilização social, custo-benefício global, custo de comunicações

  • impacto na qualidade de serviços públicos - educação, saúde, agricultura, administração

  • impacto no processo de democratização/acesso à informação e conhecimentos

  • impacto da capacidade de produção de conteúdos locais e de ter acesso a conteúdos nacionais

  • impacto cultural.

Também torna-se necessário estudar o funcionamento do telecentro entanto que tal:

  • enquadramento na comunidade

    • posicionamento sócio-económico, abertura de acesso, localização

  • funcionamento e eficiência do modelo de gestão e do Comité de Acompanhamento

    • procura de variantes

    • modelo definitivo

  • forma de propriedade

  • resultados da formação do pessoal

  • funcionamento, qualidade e preço dos serviços

    • capacidade de pagar, eficácia.

b) Contribuições para a melhor operacionalidade do telecentro e de telecentros futuros

Neste capítulo prevê-se a testagem prática de equipamento e materiais utilizados no telecentro, através de medições, controles estatísticos e experiências/ensaios junto dos utentes. Por exemplo:

  • qualidade e adequação do equipamento

    • grau de utilização/número de avarias; resistência ao calor, humidade, cortes de energia; capacidade técnica de garantir um serviço com qualidade (rapidez, memória, etc)

  • qualidade dos sistemas de comunicações e implicações

    • disponibilidade de linhas, acesso ao "server", "bandwidth", velocidade do modem, variações de energia, e implicações

  • testar variantes procurando a adequação e qualidade dos cursos de formação ministrados pela gestora e pelo CIUEM

    • duração, conteúdo, nível, manuais, n° máximo de cursantes, monitor, lingua, utilidade posterior

  • identificar os programas, CD-roms, etc, com maior aceitação e aplicabilidade

    • o mesmo programa em inglês, português ou brasileiro; pacotes diferentes servindo a mesma função (eg Netscape ou Explorer); CD-ROMs e vídeos educativos; adaptação de alguns pacotes

  • testar programas desenhados ou em uso na UEM para a introdução de tecnologias e ensino à distância

  • ensaiar a utilização de linguas locais na produção de conteúdos.

Será preciso utilizar vários métodos para conseguir todos os objectivos: inquéritos aos utentes, inquéritos aos não utentes, entrevistas, etc. Pode ser útil constituir um ou mais grupos de foco permanentes. A medição de alterações nas vidas das pessoas e da comunidade deverá ser tentada tomando como base as informações recolhidas durante o estudo de viabilidade no início de 1998, embora, obviamente, a presença do telecentro não seja o único factor influenciando tais alterações. Uma análise mais pormenorizada dos inquéritos poderá resultar em mais linhas de investigação interessantes.
As investigações técnicas podem ser orientadas por técnicos do CIUEM ou outros especialistas contratados para o efeito, contando com a colaboração do pessoal do telecentro para a manutenção de registos técnicos. A testagem de programas deve ser feita segundo uma metodologia que permite medir as reacções de grupos de utentes diferentes.
Para além dos investigadores, o programa de pesquisa precisará de inputs tais como: equipes de inquiridores locais; a produção pelo CIUEM de diversos conteúdos específicos, programas adaptados, etc; a aquisição de vários programas e CD-ROMs; despesas com deslocações para os telecentros; material de escritório; processamento de dados; etc. Também haverá despesas com a publicação e disseminação dos resultados.

13.3. Avaliação

Aqui entram os indicadores de actividade quantitativos e financeiros que não exigem trabalhos adicionais de pesquisa, e que são controlados e reportados regularmente pela gestão do telecentro, com pareceres do Comité de Acompanhamento, e analisados pela equipe reponsável pelo projecto.

Estes indicadores devem incluir o seguinte:

  • Número de utentes

    • Discriminação

  • Grau de utilização de cada serviço

    • N° de utentes, volume/tempo

  • Grau de utilização de conteúdos nacionais e locais na Internet

  • Receitas por serviço e fonte

  • Despesas resultantes da actividade

    • telefone, papel de fotocópia, papel de fax, etc

  • Volume de produção de conteúdos

    • Meios utilizados (Internet, papel impresso)

  • Número de pessoas formadas/N° de cursos

  • Número de pessoas com acesso à informação produzida no telecentro.

Outros instrumentos de avaliação são os seguintes:

  • Prestação mensal de contas, e disponibilização de fundos em função destas

  • Reuniões regulares do Comité de Acompanhamento, com ou sem a presença de membros da equipe do CIUEM

  • As visitas regulares de acompanhamento

  • Elaboração de relatórios de progresso semestrais

  • Uma avaliação interna no fim de 24 meses

  • Um avaliação externa no 42° mês

  • Publicação e disseminação dos resultados.

Para além do telecentro, um outro objecto de avaliação é o projecto piloto em si:

  • Cumprimento dos seus objectivos

  • Observância dos limites orçamentais e gestão

  • Produção de relatórios

  • Produção dos resultados da pesquisa

  • Adequação da metodologia utilizada

Os recursos necessários para a componente de avaliação resumem-se na contratação de consultores para as duas avaliações formais e os custos de disseminação num Workshop final. O demais trabalho será realizado pelo CIUEM e a sua equipe no âmbito da sua funçao de gestão e apoio.

 
 
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  Última actualização: 15 de Fevereiro de 2002
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