ESTRATÉGIA E PROJECTO DE IMPLEMENTAÇÃO PARA A CRIAÇÃO DE TELECENTROS PILOTO NAS ZONAS RURAIS: PROVÍNCIAS DE MANICA GAZA
Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane

 

1. Título do Projecto: Os TICs como um instrumento para o desenvolvimento rural: criação de telecentros e acesso público nas províncias de Manica e Gaza

2. Data de início: Julho 2001

3. Duração do projecto: 4 anos

4. Localização: Província de Manica - distritos de Sussundenga, Gondola e Manica; província de Gaza - distrito de Chókwè

5. Proponente: Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane

6. Cálculo provisório do orçamento total (3 anos):

7. Objectivos gerais:

(i) Contribuir para o desenvolvimento dos distritos em que o projecto está baseado, dando melhores condições de acesso a comunicações, informação e ensino.
(ii) Testar vários modelos e tecnologias para dar acesso aos TICs, com vista a uma futura replicação em Moçambique, tendo presente a importância de conciliar questões de sustentabilidade com as necessidades dos diferentes grupos alvo num contexto socio-económico específico.
(iii) Melhorar a qualidade dos serviços do sector público e contribuir para a descentralização e boa governação.
(iv) Estimular o empresariado local a desenvolver e aumentar as suas actividades.
(v) Dar à sociedade civil os seus próprios canais, sem intermediários, para um melhor e atempado fluxo de informação, tanto horizontal como vertical, e contribuir para a consolidação da comunidade local.
(vi) Reduzir o actual desequilíbrio entre a cidade e os distritos rurais relativamente ao acesso ao conhecimento e à capacidade de produzir e disseminar informação.
(vii) Contribuir para a promoção de um ambiente político e económico favorável, que irá facilitar o início de iniciativas similares por parte do sector privado, formas diferentes de parcerias públicas-privadas, ONGs ou organizações comunitárias.



8. Objectivos específicos:

(i) Estabelecer e dar início a modelos variados de telecentros nos distritos de Sussundenga, Manica e Gondola em Manica, e Chókwè em Gaza, dando acesso técnico à utilização de computadores, correio electrónico (e-mail), Internet, serviços gráficos, fax e fotocópias.
(ii) Desenvolver parcerias operacionais com as organizações locais, através das quais a apropriação será integrada localmente, e documentar as experiências como um contributo para a aprendizagem em Moçambique e na região.
(iii) Criar uma base de utilizadores através de cursos de formação em informática.
(iv) Estabelecer ligações inter-distritais entre a Internet e os utilizadores de correio electrónico (e-mail) nos distritos cobertos por este projecto, em particular procurando criar uma dinâmica de desenvolvimento dentro da província de Manica, e entre o Chókwè e os telecentros existentes na vizinha província de Maputo.
(v) Criar um corpo de conteúdo na Internet útil e relevante, tanto a nível central como local, e testar sistemas de disseminação local.
(vi) Apoiar a gestão dos telecentros durante 4 anos, tentando alcançar uma auto-suficiência progressiva através de serviços que produzam rendimentos e de outras fontes.
(vii) Realizar investigação contínua em todos os aspectos do projecto - social, económico, tecnológico - e publicar os resultados e as lições tiradas.

9. Resultados esperados

(i) Quatro telecentros a funcionar, técnica e economicamente sustentáveis depois de 4 anos do projecto piloto.
(ii) Pessoal local formado e activistas capazes de dar continuidade ao trabalho, e organismos parceiros com responsabilidade total pelo telecentro.
(iii) Na área de influência do telecentro, acesso alargado e equitativo aos TICs, e através deles à informação e conhecimento.
(iv) Demonstração de um modelo mais eficaz e económico para a comunicação (informação, correspondência, negócios, contactos com as famílias, etc.) do que os meios que são utilizados actualmente.
(v) Grande número de jovens com capacidades básicas de informática e acesso a informação e conhecimento para complementar os programas de ensino formal.
(vi) Melhor qualidade nos serviços prestados pela administração pública e pelo sector privado.
(vii) Instituições da sociedade civil melhor equipadas para comunicarem horizontal e verticalmente, e para se fazerem ouvir a nível local e nacional.
(viii) Bases criadas para permitir que outras tecnologias sejam introduzidas sem dificuldades, por ex. ensino formal à distância, telemedicina, informação económica, sistemas de aviso prévio, um Provedor de Serviços Internet "ISP" local, etc.
(ix) Relatórios regulares de investigação e de avaliação publicados, contribuindo para estimular novas iniciativas e assegurar de que têm bases sólidas.


10. Beneficiários

Encontrando-se os serviços abertos ao público, toda a população se torna um potencial utilizador. Contudo, para fins práticos alguns grupos alvo foram definidos como utilizadores imediatos - aqueles que terão maior facilidade e estarão mais interessados em dominar e fazer utilização das novas técnicas. Entre estes grupos encontram-se os professores e estudantes; os agentes económicos; a administração local e os sectores de educação, saúde e da agricultura; profissionais destes e de outros sectores; associações locais, nacionais e estrangeiras, organizações e ONGs. Os utilizadores em trânsito deverão ser acrescentados a estes grupos permanentes: visitantes e turistas, jornalistas, pessoas de negócios, investidores, etc. Ao longo do tempo, irão sendo tomadas iniciativas para promover o acesso aos TICs a um número crescente de utilizadores provenientes de todos os estratos da população, dando-se atenção particular às necessidades dos jovens que já não estão a estudar.

Na província de Manica, em particular, os beneficiários incluirão outras organizações envolvidas no Programa Integrado de Desenvolvimento Rural da "Kellogg Foundation", e os grupos alvo deste Programa são os principais grupos alvo para os telecentros. Deverá haver bastante espaço para uma coordenação positiva entre as respectivas organizações implementadoras.

Os beneficiários indirectos são todos aqueles que obterão benefícios do telecentro num efeito multiplicador, sem que eles próprios sejam utilizadores. Estão aqui incluídos os trabalhadores de instituições ou de empresas utilizadoras, membros das associações; as famílias dos estudantes; os pacientes que receberão melhor tratamento graças à informação dada pela Internet; etc. O contributo dos telecentros para o desenvolvimento económico geral irá beneficiar a comunidade como um todo.

Uma forma importante de levar os benefícios aos grupos mais marginalizados é através das escolas locais ou dos centros de formação. Por exemplo, as mulheres pobres irão beneficiar a médio prazo, das novas capacidades dos seus filhos.

Um outro grupo de beneficiários é composto pelos que irão beneficiar do projecto piloto. Estes incluem os utilizadores e beneficiários dos novos telecentros a serem criados no futuro; os governos provinciais e nacional; a UEM, que irá ganhar uma experiência valiosa no campo de aplicações de tecnologias, ensino à distância, desenvolvimento de conteúdo, etc.; e os praticantes nesta área, na região e no mundo inteiro, que irão também aprender com as experiências de Moçambique.

11. Justificação

a) Contexto

Moçambique ainda é um dos países mais pobres do mundo, mas tem dado grandes passos desde o acordo de paz e das primeiras eleições multipartidárias de 1994. Mesmo assim, o seu Índice de Desenvolvimento Humano é o mais baixo de todos os países da SADC, situando-se em 0.341, e calcula-se que 70% da sua população está a viver em pobreza absoluta.

Sendo Moçambique um país essencialmente rural, com 70% da sua população a viver no campo, a luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento deverá ser baseada nas zonas rurais. Uma das componentes chave desta luta é o desenvolvimento de recursos humanos, que significa acima de tudo o acesso à informação e ao ensino. Dado o tamanho do país e os escassos recursos, está claro que as formas tradicionais de acesso não serão capazes de resolver o problema.

Desde a introdução de uma Constituição liberal e democrática em 1990, o governo começou a abrir espaço para o desenvolvimento de um sector privado e de uma economia de mercado, e a criar um ambiente favorável para as grandes e pequenas actividades empresariais. Em paralelo, uma sociedade civil embrionária tem começado a enraizar-se, com a emergência de ONGs nacionais e locais, associações de mulheres e de camponeses, partidos políticos, confissões religiosas, etc. Governo aberto, descentralização e democratização constituem objectivos explícitos do governo.

b) O papel das TICs

A introdução de tecnologias de informação e comunicação (TICs) a nível local é um corolário lógico destes desenvolvimentos. Embora a discussão sobre a prioridade relativa entre dar uma fonte de água potável ou um computador vá sempre persistir, a realidade é que para se operar um avanço qualitativo não existe escolha a não ser tentar fazer os dois numa proporção razoável. Adiar a implementação do uso de TICs significa, de facto, optar por ficar fora do mundo globalizado, alargando o fosso existente entre ricos e pobres, a cidade e o campo dentro do país, e promover um desenvolvimento mais desigual. Esta é a razão porque o Governo de Moçambique aprovou uma Política Nacional de Informática em Dezembro de 2000, que entre outras coisas reconhece o direito do cidadão a ter acesso à informação e conhecimento através de TICs e propõe-se a apoiar a uma rede nacional de pontos de acesso público através da criação de um fundo universal de serviço, tarifas e incentivos fiscais, e outras medidas de políticas.

Neste contexto há uma necessidade urgente de se estabelecer projectos piloto TICs e de se realizar investigação orientada para acçao, que se incorporarão no crescente movimento nacional, ao mesmo tempo que satisfazem as necessidades imediatas das populações alvo nas áreas dos projectos. Os casos de sucesso irão estimular iniciativas independentes, ao mesmo tempo que se ganha experiência prática vital ao trabalhar com questões relacionadas com tecnologias adequadas, propriedade e gestão, e sustentabilidade económica e social. Uma massa crítica de utilizadores de TICs será criada, criando a sua dinâmica própria e um círculo virtuoso de utilizadores que exigem conteúdo, grandes volumes de conteúdo útil a atrair mais utilizadores, um maior número de utilizadores que aumentará a viabilidade económica dos próprios pontos de acesso, ao mesmo tempo que a utilização feita da informação e dos conhecimento adquiridos terá um impacto directo e indirecto no desenvolvimento económico local e na consolidação da sociedade civil.

c) Os locais do projecto

A província de Manica, no centro de Moçambique na fronteira com o Zimbabwe, tem uma população de cerca de um milhão de habitantes, dos quais mais de dois terços vivem nas zonas rurais. Embora pobre, é uma das quatro províncias, em que o Índice de Desenvolvimento Humano melhorou em mais de 5% de 1996-1998 (de facto, em cerca de 12.5%). Isto sugere que é uma área que poderá estar a aproximar-se do ponto de começar a levantar.

Mesmo dentro de Manica há grandes discrepâncias, com a maior parte do desenvolvimento a concentrar-se nas áreas mais perto do Corredor da Beira e da fronteira. Este projecto irá acompanhar o desenvolvimento que está a ocorrer nestes distritos em forma de reforço mútuo. Sussundenga é o distrito com menos população e mais espalhada de entre os locais seleccionados, essencialmente pobre e agrícola; mas está escolhida como uma importante área de crescimento na província. Gondola é o maior distrito da província, com um nível considerável de actividade económica e grande potencial (tal como demonstrado no recente estudo da Technoserve); a cidade tem a sua vida independente e quer consolidar a sua posição como capital de distrito, mas está situada tão perto de Chimoio, o que a torna por vezes vista como pouco mais do que um apêndice. A cidade de Manica já é bem desenvolvida, e conta com um número maior de potenciais utilizadores de TICs; tem um sector de negócios florescente a trabalhar na agro-indústria e comércio e uma vasta área interior agrícola.

Em Gaza, Chókwè é um dos principais centros de desenvolvimento agrícola e de agro-indústria no sul de Moçambique, com um sistema de irrigação de grande escala, que retira água do Rio Limpopo. A terra é trabalhada por um misto de pequenos, médios e grandes agricultores privados e associações de camponeses, em que todos necessitam de melhor acesso à informação sobre técnicas de cultivo, clima, mercados de exportação, contactos com clientes nacionais, etc. Apesar da cidade ter estado debaixo de água durante as cheias e o sistema de irrigação ter sido largamente destruído, todos os habitantes já regressaram e a recuperação já começou. A província de Gaza no seu todo sofreu bastante com as cheias de 2000, o que constituiu um passo atrás na sua incipiente recuperação económica. Como fornecedora tradicional de mão de obra para as minas da África do Sul, cuja necessidade tem vindo a diminuir, é particularmente importante para contribuir para novas formas de desenvolvimento local.

Um factor essencial na selecção de todos os locais é a existência de infra-estrutura técnica adequada. Cada capital de distrito tem uma fonte de energia segura 24 horas e ligações telefónicas a um "ISP", digital na maioria dos casos. Isto dá uma base sólida, e reduz a necessidade de grande investimento nas ligações.

12. Estratégia

Com base no trabalho de campo realizado para o estudo de viabilidade, a grande estratégia é a de estabelecer telecentros ou pontos de acesso público que sejam adaptados às necessidades e capacidades de cada distrito. A intenção é de se começar de forma modesta, e crescer progressivamente, com base naquilo que já existe. Desta forma, cada centro terá uma gama de equipamentos ligeiramente diferente, e dará prioridade a diferentes serviços, embora todos estejam a realizar as mesmas funções centrais.

Uma outra componente chave e inovadora da estratégia é o conceito de parcerias entre a universidade e as organizações locais em cada distrito, que serão responsáveis por fazer avançar os projectos como parte das suas actividades de desenvolvimento. Um objectivo explícito desta estratégia é o de encorajar a auto-confiança local, e dar um exemplo de replicação para outros locais.

Nem a universidade nem o governo pretendem criar uma cadeia de telecentros idênticos, ou uma operação central de "franchising" (licenciamento de direitos). Pelo contrário, as palavras de ordem são "rede" e "parceria". A hipótese que está a ser testada nestes projectos piloto é que enquanto a infra-estrutura de energia e de telecomunicações ainda tem de ser fornecida a nível nacional (até a energia solar e tecnologias de satélite se tornem mais baratas), os que adoptarem as TICs e pequenos empresários irão emergir a nível local quando se aperceberem de que existe uma oportunidade viável, e irão adaptar o conceito básico à sua própria maneira. A universidade está desta forma a "incubar" a ideia de telecentro, e não existe nenhum modelo certo ou errado.

A sustentabilidade não pode ser definida em termos estritamente financeiros. No caso dos telecentros, a sustentabilidade económica só pode ser alcançada caso eles sejam percebidos como úteis e relevantes principalmente para as comunidades pobres, rurais e semi-rurais, de tal forma que eles queiram pagar pelos serviços. Os preços deverão estar dentro das possibilidades das pessoas. Contudo, muitos dos benefícios económicos trazidos pelo acesso à informação através do telecentro, por exemplo, não irão reverter de imediato em termos financeiros para o próprio telecentro, embora o desenvolvimento da comunidade a longo prazo irá obviamente gerar mais procura. Ao mesmo tempo, poder-se-á argumentar legitimamente que em alguns casos prestar um serviço é mais importante, em termos de sociedade no conjunto, do que insistir na recuperação total de custos.

Não há dúvida, de que o equipamento informático e os custos de conectividade ainda são relativamente caros, e de que o equipamento se deprecia num curto período de tempo.

A estratégia de sustentabilidade a ser testada por este projecto tem, por conseguinte, as seguintes bases:
(i) parceria com organizações que já têm uma presença e base local, e alguns recursos humanos;
(ii) criar um grupo engajado de utilizadores através de cursos de formação;
(iii) uma política de preços que cubra custos e margens, implementada em coordenação com subsídios e outras medidas dirigidas para grupos alvos específicos, definidos em termos da sua contribuição para o desenvolvimento;
(iv) subsídios a serem dados por financiadores externos, por esquemas de patrocínios locais no âmbito de outros projectos e programas na área, ou eventualmente através de medidas governamentais tais como o fundo universal de serviço;
(v) pressionando o governo e as empresas de serviços públicos a implementar um esquema de tarifas comunitárias que irão reduzir os custos de energia e de telecomunicações;
(vi) implementar um plano de negócios preparado como se fosse para um empreendimento comercial;
(vii) estimular a produção de conteúdo local, e de conteúdo nacional, que irá gerar mais procura e baixar os custos de oportunidade para acesso a informação e ao ensino;
(viii) estabelecer o local do telecentro na comunidade local, como um centro de informação, ensino, entretenimento e conhecimento, e assegurar que não serão criadas barreiras ao acesso com base no sexo ou estatuto económico.

13. Implementação

Cada local apresenta o seu conjunto próprio de desafios, e cada um dos distritos escolhidos oferece muitos paralelos a outros distritos em todo o país. Assim, as lições tiradas terão valor muito para além das províncias de Manica e Gaza, e mesmo para além de Moçambique.

13.1. Fase I

A estratégia proposta para cada local é a seguinte:

a) Sussundenga. Entrar em parceria com a rádio comunitária (cujos custos de investimento foram financiados pela Ford Foundation), e estabelecer o telecentro nas instalações recentemente construídas da rádio. A rádio já está a tentar gerar rendimentos através de uma máquina de fotocópias, fax e telefone público. A UEM irá fornecer dois computadores e uma impressora para utilização pública, formação para formadores, e apoio na área de conteúdo e utilização da informação da Internet e de ensino, para alimentar o trabalho da rádio.

b) Gondola. Estabelecer um telecentro independente gerido por pessoal recrutado localmente e supervisado por um comité local, na mesma linha do telecentro da Manhiça. Procurar uma relação estreita com os CFM como suporte local. Dar cursos de formação, informação e comunicações através de equipamento informático (5 computadores e impressora), telefone público, fax, máquina de fotocópias, "scanner", equipamento de encadernação, TV com satélite e vídeo.

c) Cidade de Manica. Entrar em parceria com a ONG Kwaedza Simukai, e criar um telecentro numa sala nas suas instalações actuais até conseguirem construir o planeado Centro de Documentação e Informação. A KSM trabalha principalmente com as comunidades rurais, grupos de camponeses e de mulheres, desta forma fará a ponte entre estes grupos alvo e as novas tecnologias, embora através do telecentro irá também servir os professores da área urbana e péri-urbana, alunos da escola, administrações locais e sector privado. O equipamento consistirá de 3-4 computadores, impressora, fax, "scanner", máquina de fotocópias e telefone público.

d) Chókwè. Entrar em parceria com a ORAM. Criar um mini-telecentro e centro de informação numa sala nas instalações da Direcção Distrital de Agricultura, com equipamento semelhante ao da cidade de Manica. Dar grande prioridade à documentação, produção e disseminação de informação relacionada com a agricultura.

Mais informação sobre os parceiros pode ser encontrada no Estudo de Viabilidade.

13.2. Fase II

A seguir à fase de instalação e arranque, a segunda fase na estratégia de implementação começará com a criação e consolidação de um grupo de utentes regulares, em primeiro lugar, através de cursos de formação em técnicas de computador dirigidos aos grupos-alvo chaves.

Um dos objectivos do Estudo de Viabilidade foi o de detectar as atitudes das comunidades e identificar as suas necessidades e prioridades. Perante os resultados do estudo, em paralelo com a formação iniciar-se-á a criação de serviços de informação e produção com base nas TICs.

Os objectivos gerais já delineados no Estudo (ver pp 6-8), de apoiar a boa governação, o empresariado local e a sociedade civil, mantêm-se válidos, e não será realista definir antecipadmente como os serviços evoluirão em cada telecentro. Porém, é possível desde já detalhar alguns dos usos potenciais, entanto que actividades a introduzir ao longo do tempo e consoante as capacidades, a dimensão e prioridades locais.

a) Apoio para desenvolvimento rural integrado

- acesso por via da Internet a informações agrícolas e a sua disseminação a farmeiros, associações de camponeses, etc, por ex. sobre técnicas de produção e tecnologias, previsão do tempo, custos de insumos, preços de compra para a produção local, etc;
- a redução dos custos de negócios, promoção da comercialização interna e exportação para empresários, através da utilização de websites, comunicações por e-mail e fax, etc;
- melhoria das comunicações entre organizações locais com actividades semelhantes, trabalhando em diversos pontos da provincia ou do país, ou entre delegações locais e as respectivas sedes provinciais ou nacionais;
- disseminação de informação pública ou do governo, por ex. legislação, procedimentos para a aquisição de títulos de uso e aproveitamente de terra, etc;
- melhoria da coordenação entre os diversos sectores intervenientes no desenvolvimento rural através do uso do e-mail e fax;
- democratização do acesso a informação e a disponibilização de canais através dos quais as comunidades podem fazer-se ouvir e participar mais activamente na vida nacional.

b) Apoio para redes de lideres

- aumentar as capacidades e confiança de lideres comunitários potenciais através de formação básica em técnicas de informática;
- facilitar acesso a informação e comunicação para representantes de grupos pobres e desfavorecidos, por ex. mulheres, jovens, camponeses;
- promover redes de contacto horizontais entre lideres locais na provincia de Manica, assim encorajando a coordenação de estratégias, por ex. sobre questões de terra.

c) Actividades sectoriais

- acesso público à informação sobre saúde na Internet;
- promoção e apoio a campanhas de educação sobre o SIDA (usar os telecentros para debates, sessões de video, etc);
- uso de CD-Roms e programas de computador didácticos por professores e estudantes para complementar os programas de ensino existentes e produzir novos conteúdos;
- uso futuro como centros de recursos para programas de ensino à distância;
- apoio para profissionais de educação e saúde a nível local;
- um papel na coordenação de acções de emergência, por ex. avisos sobre cheias, divulgação de conselhos para a população, a coordenação de ajudas;
- promoção da produção de um maior volume de informação do governo, e de contactos interactivos entre o governo e o cidadão;
- contactos internacionais através de listas de discussão, e-mail, websites, etc.

d) Pesquisa

Actividades permanentes de investigação devem acompanhar as actividades, procurando tirar lições para implementação imediata nos telecentros existentes e ao mesmo tempo contribuir para a consolidação de um corpo de conhecimento para o futuro. Destacam-se as seguintes preocupações:

- quem utiliza o telecentro e para fazer o que;
- quem não utiliza o telecentro e porque;
- sustentabilidade técnica e tecnológica;
- sucessos e constrangimentos dos diversos modelos e estratégias de gestão;
- assuntos relacionados com a sustentabilidade económica;
- ao longo prazo, uma tentativa de medir o impacto sobre os utentes e sobre a comunidade no seu conjunto.

14. Objectos de pesquisa

As perguntas de pesquisa são formuladas de modo a permitir a avaliação do impacto do projecto a dois níveis: o sucesso do projecto entanto que tal, e o impacto nos beneficiários:

a) Até que ponto a instalação dos telecentros-piloto contribui para o acesso alargado e equitativo às TICs da população nas áreas abrangidas?
b) Estarão a ser adoptadas estratégias que promovem o acesso a e uso de TICs por parte das mulheres?
c) Será que os telecentros têm uma influência na dinâmica do desenvolvimento local/comunitário?
d) Que lições se podem tirar para a região austral de África sobre a sustentabilidade do uso de TICs nas áreas rurais a partir dos modelos ensaiados em Moçambique?

15. Planos de acção

Cada telecentro vai oferecer um grupo nuclear idêntico de serviços ligados às TICs, complementado por outros serviços definidos em função das comunidades dentro das quais são inseridos. A diferenciação principal entre eles na área nuclear será no volume esperado de actividade.

Passa-se a detalhar o conteúdo e modo de operação de cada telecentro.

15.1. Sussundenga

a) Nome: Telecentro da Rádio Comunitária
b) Propriedade: Rádio Comunitária de Sussundenga (RCS)
c) Visão: Complementar as actividades existentes da RCS, reforçando o seu mandato comunitário, integrando actividades de comunicação, informação, informática, serviços básicos relevantes e entretenimento. As receitas geradas devem financiar os custos de funcionamento do telecentro e se possível contribuir para os custos correntes da rádio.
d) Gestão e participação comunitária: A RCS já tem um Comité de Gestão, constituido por representantes das comunidades e instituições locais. Pretende ainda criar um Comité de Programação, que terá um papel importante na definição dos conteúdos dos programas. Estes dois comités vão desempenhar o mesmo papel em relação à componente do Telecentro.
A gestão diária é assegurada por uma coordenadora e respectivo adjunto, e a contabilidade do telecentro (receitas e despesas) será enquadrada dentro do sistema existente. Pode-se abrir uma conta bancária localmente.
e) Instalações: O equipamento informático será montado numa sala disponível dentro do edifício novo da Rádio, com acesso directo a partir do exterior e também passando pela recepção. Só precisa de uma instalação eléctrica adicional. (ver Anexo 14 do Estudo)
f) Recursos humanos: Para o funcionamento da rádio, 3 jornalistas efectivos trabalham em turnos para garantir as emissões. O número é considerado insuficiente para o trabalho existente. Conta-se também com colaboradores voluntários oriundos da comunidade, geralmente jovens. A coordenadora e o adjunto estão a receber formação em informática localmente, dada por um voluntário americano afecto à escola secundária local este ano e que deverá ficar até o fim de 2002. Todo o pessoal efectivo da RCS integrará actividades relacionadas com o telecentro nos seus trabalhos quotidianos na medida do possível; apesar disso, o pessoal não terá disponibilidade de tempo para tomar conta de todas as actividades, como dar formação, etc.
Será preciso recrutar mais uma pessoa localmente para trabalhar exclusivamente no telecentro para dar assistência aos clientes, pesquisar informação, etc. A pessoa recrutada deverá receber um subsídio pago pelo projecto, a partir das receitas e outras subvenções. A servente existente ocupar-se-á da recepção e das tarefas menos qualificadas do telecentro (fotocópias, cabine, etc).
g) Serviços a oferecer:
· Grupo nuclear
· Acesso a computador
· E-mail
· Internet
· Formação
· Serviços informáticos
· Serviços de informação
· Complementares
· Cabine telefónica
· Fax
· Fotocópias
· Video c/projector e tela grande
· Futuros (por estudar)
· Biblioteca
· Telecartão
· Reprografia
h) Capacitação do telecentro:
· Formação de pessoal
· Formação básica localmente
· Curso especial em Chimoio (informática, manutenção, gestão, etc)
· Trocas de experiência e estágios regulares com outros telecentros
· Visitas de estudo
· Assistência técnica e manutenção
· Contrato com GESOM, Chimoio
· Apoio da TDM e EDM
· Supervisão do CIUEM
· Patrocínio de actividades
· Financiamento de actividades a favor de grupos-alvo específicos (mulheres, organizações comunitárias, jovens, agricultores, etc)
· Procura de preços subsidiados, acordos especiais com fornecedores, etc
i) Serviços de impacto:
· Avaliação - plano de avaliação continua, recolha de dados, divulgação de resultados (incluindo na região)
· Comunicação e marketing social
· Divulgação e promoção do telecentro por via de encontros nas comunidades, folhetos, publicidade na rádio, actividades promocionais (ex: cerimónia de inauguração, oferta de serviços, etc)
· Criação e monitoração de uma estratégia de negócios (análise de necessidades, política de preços, etc)
· Networking com parceiros locais e provinciais (stakeholders) - workshops e seminários - para avaliar resultados, introduzir corecções, etc

15.2. Manica

a) Nome: Telecentro de Macequece (nome tradicional da zona)
b) Propriedade: Kwaedza Simukai Manica (KSM)
c) Visão: Um espaço que serve tanto a população da Cidade de Manica como a população do interior, com destaque para as comunidades rurais que já são parceiros da KSM. A sua designação pretende vincar o seu papel ao serviço de todo a comunidade, e não só da KSM ou os seus parceiros directos. Pretende-se criar um mini-telecentro completo, que será eventualmente integrado no Centro de Documentação e Informação por criar. As receitas geradas deverão servir para financiar os custos do telecentro e contribuir para a auto-sustentabilidade da KSM.
d) Gestão e participação comunitária: KSM está constituida em Associação, cujos membros actuais são os seus trabalhadores. Tem um Conselho de Direcção que inclui 2 representantes das comunidades, um Conselho Fiscal, e uma Assembleia onde são representadas todos os seus parceiros locais. É gerido por um coordenador, assistido por um responsável administrativo, para além do pessoal dos projectos.
O telecentro, como uma componente das actividades, será gerido e fiscalizado pelos órgãos existentes da associação, assim assegurando que a sua actividade e perfil corresponda aos anseios dos beneficiários e às necessidades locais, ao mesmo tempo conformando com as normas administrativas e financeiras em vigor. No entanto, será montado e gerido na medida do possível como um centro de custos autónomo, para permitir um melhor controlo.
e) Instalações: A KSM tem instalações espaçosas situadas ao longo da rua principal da Cidade de Manica, com uma montra. O telecentro será montado no rés do chão, facilmente acessível para o público, enquanto que as actividades internas da KSM passarão para o 1o andar. As instalações necessitam de algumas obras, basicamente pintura, melhoramento do quadro eléctrico e da iluminação, e reforço das condições de segurança. (ver Anexo 14 do Estudo)
f) Recursos humanos: A direcção e administração da KSM vão assegurar a direcção do telecentro. O pessoal existente já tem experiência na utilização de computadores, e-mail e Internet no geral, e o chefe administrativo e a responsável para pequenos projectos têm conhecimentos especializados (manutenção, Web design, etc). O resto do pessoal está plenamente ocupado com as suas tarefas actuais, e não tem disponibilidade para envolver-se nas actividades do telecentro em simultâneo.
Será preciso recrutar uma pessoa localmente para trabalhar exclusivamente no telecentro para dar assistência aos clientes, pesquisar informação, etc; a pessoa recrutada deverá receber um subsídio pago pelo projecto, a partir das receitas e outras subvenções. O contínuo existente tratará da recepção e das tarefas menos qualificadas (fotocópias, cabine, etc), e o guarda garantirá a segurança.
g) Serviços a oferecer:
· Grupo nuclear
· Acesso a computador
· E-mail
· Internet
· Formação (com ênfase em cursos especializados)
· Serviços informáticos
· Serviços de informação
· Complementares
· Cabine telefónica
· Cabine telecartão
· Fax
· Fotocópias
· Encadernação
· Biblioteca de consulta técnica
· Futuros (por estudar)
· Video e televisor portátil para as zonas rurais
h) Capacitação do telecentro:
· Formação de pessoal
· Formação básica localmente
· Curso especial em Chimoio (informática, manutenção, gestão, etc)
· Trocas de experiência e estágios regulares com outros telecentros
· Visitas de estudo
· Assistência técnica e manutenção
· Contrato com Sr Randall, Chimoio
· Apoio da TDM e EDM
· Supervisão do CIUEM
· Patrocínio de actividades
· Financiamento de actividades a favor de grupos-alvo específicos (mulheres, organizações comunitárias, jovens, agricultores, etc)
· Procura de preços subsidiados, acordos especiais com fornecedores, etc
i) Serviços de impacto:
· Avaliação - plano de avaliação continua, recolha de dados, divulgação de resultados (incluindo na região)
· Comunicação e marketing social
· Divulgação e promoção do telecentro por via de encontros nas comunidades, folhetos, publicidade na rádio, actividades promocionais (eg cerimónia de inauguração, oferta de serviços, etc)
· Criação e monitoração de uma estratégia de negócios (análise de necessidades, política de preços, etc)
· Networking com parceiros locais e provinciais (stakeholders) - workshops e seminários - para avaliar resultados, introduzir corecções, etc

15.3. Gondola

a) Nome: Telecentro de Gondola
b) Propriedade: CIUEM
c) Visão: O telecentro será uma entidade autónoma, fornecendo uma gama completa de serviços e vivendo das suas receitas. Servirá sobretudo aos jovens da vila e aos agricultores e camponeses do interior do distrito. A entidade sócio-económico mais forte na vila é a CFM, e o seu Clube Ferrioviário, que tem uma longa tradição, constitui um polo de atracção para o distrito. O estabelecimento do telecentro com o apoio deste Clube contribuirá para o seu enraizamento local.
d) Gestão e participação comunitária: Será constituido um comité local de direcção, com representantes dos diversos sectores de actividade, e a gestão quotidiana deverá recair sobre o pessoal a tempo inteiro. A GESOM, uma ONG em Chimoio com experiência de gestão de actividades típicas de telecentro, dará um apoio directo na supervisão do telecentro, representando neste sentido o CIUEM. Ao longo do tempo o CIUEM passará a propriedade do telecentro a uma entidade local que nascerá do comité local. Já está constituido um Clube de Activistas do Telecentro de Gondola (CATEGO), constituido por jovens com o apoio do Clube Ferroviário e da TDM local.
e) Instalações: O edifício-sede do Clube Ferroviário de Gondola, localizado no meio da vila, tem salas disponíveis, e o Clube está disposto a ceder uma delas para a instalação do telecentro. A sala tem acesso directo a partir do exterior, e será possível criar um espaço autónomo para o telecentro. Será preciso uma reabilitação total da sala, bastante degradada, incluindo a instalação electrica.
f) Recursos humanos: Actualmente a população de Gondola possui poucos conhecimentos de informática. Será preciso recrutar e treinar pessoas sem experiência para gerir o telecentro e garantir a prestação de serviços. Prevê-se a contratação de quatro pessoas a tempo inteiro: um gestor/técnico, um assistente/técnico e dois guardas/serventes. Este pessoal será apoiado por colaboradores membros do CATEGO.
g) Serviços a oferecer:
· Grupo nuclear
· Acesso a computador
· E-mail
· Internet
· Formação
· Serviços informáticos
· Serviços de informação
· Complementares
· Cabine telefónica
· Cabine telecartão
· Fax
· Fotocópias
· Encadernação
· Biblioteca de consulta técnica
· Video e televisor (com projector e tela?)
h) Capacitação do telecentro:
· Formação de pessoal
· Formação básica localmente
· Curso especial em Chimoio (informática, manutenção, gestão, etc)
· Trocas de experiência e estágios regulares com outros telecentros
· Visitas de estudo
· Apoio do GESOM
· Assistência técnica e manutenção
· Contrato com GESOM, Chimoio
· Apoio da TDM e EDM
· Supervisão do CIUEM
· Patrocínio de actividades
· Financiamento de actividades a favor de grupos-alvo específicos (mulheres, organizações comunitárias, jovens, agricultores, etc)
· Procura de preços subsidiados, acordos especiais com fornecedores, etc
i) Serviços de impacto:
· Avaliação - plano de avaliação continua, recolha de dados, divulgação de resultados (incluindo na região)
· Comunicação e marketing social
· Divulgação e promoção do telecentro por via de encontros nas comunidades, folhetos, publicidade na rádio, actividades promocionais (eg cerimónia de inauguração, oferta de serviços, etc)
· Criação e monitoração de uma estratégia de negócios (análise de necessidades, política de preços, etc)
· Networking com parceiros locais e provinciais (stakeholders) - workshops e seminários - para avaliar resultados, introduzir corecções, etc

15.4. Telecentro de Chókwè

a) Nome: Telecentro de Chókwè
b) Propriedade: ORAM (Organização Rural de Ajuda Mútua)
c) Visão: O telecentro será uma base e local de encontro tanto para os actuais activistas, parceiros e associados da ORAM no distrito de Chókwè (associações e agricultores), e nos distritos vizinhos, como para o público em geral com destaque para jovens, famílias de mineiros, etc. Poderá vir a extender a sua zona de influencia até os distritos vizinhos. Deverá priorizar uma estratégia de uso de TICs que permita trazer informação relevante para os grupos-alvo e facilitar as comunicações e actividades produtivas dos mesmos. As receitas geradas devem financiar os custos de funcionamento do telecentro, embora uma boa parte da informação produzida terá que ser disseminada gratuitamente.
d) Gestão e participação comunitária: A gestão local será a cargo da ORAM-Zona Sul, uma delegação da ORAM com sede em Macie, que garantirá a necessária dinamização e supervisão administrativa e financeira. A gestão diária será a cargo do pessoal do telecentro: um gestor a recrutar e um oficial de informação. Estes também responderão perante um Comité Local a criar, constituido por representantes das partes interessadas, por exemplo a União Distrital das Associações de Camponeses (UDAC) e a Associação dos Agricultores. Numa fase posterior, depois de consolidado, a ORAM prevê a entrega do telecentro a uma entidade local existente.
e) Instalações: Está previsto o aluguer de uma sala junto do edifício da Direcção Distrital de Agricultura e Desenvolvimento Local (DDADER), que precisará de alguma reabilitação. (ver Anexo 14 do Estudo)
f) Recursos humanos: Será preciso recrutar um gestor localmente. ORAM não possui infraestruturas em Chókwè; tem somente um motivador. Este motivador passará a trabalhar no telecentro com a tarefa de garantir os serviços de informação, uma actividade que ele já desenvolve com os meios que tem. Será preciso recrutar 2 guardas/pessoal de apoio. Eventualmente poderá ser necessário contratar serviços em Maputo para garantir o fluxo de informações actualizadas. Conta-se também com colaboradores voluntários oriundos da comunidade, geralmente jovens.
g) Serviços a oferecer:
· Grupo nuclear
· Acesso a computador
· E-mail
· Internet
· Formação
· Serviços informáticos
· Serviços de informação
· Complementares
· Cabine telefónica
· Fax
· Fotocópias
· Pequena biblioteca especializada sobre agricultura e informática
· Telecartão
· Reprografia
· Numa segunda fase
· Meios audiovisuais
· Centro comunitário
h) Capacitação do telecentro:
· Formação de pessoal
· Formação básica localmente ou no Telecentro de Manhiça
· Curso especial em Maputo (informática, manutenção, gestão, etc)
· Trocas de experiência e estágios regulares com outros telecentros em Maputo e Manica
· Visitas de estudo
· Assistência técnica e manutenção
· Contrato com uma empresa local (Chókwè ou Xai-Xai)
· Apoio do Telecentro de Manhiça
· Apoio da TDM e EDM
· Supervisão do CIUEM
· Patrocínio de actividades
· Financiamento de actividades a favor de grupos-alvo específicos (associações de camponeses, agricultores, mineiros e as suas famílias - especialmente as mulheres, organizações comunitárias, jovens, etc)
· Procura de preços subsidiados, acordos especiais com fornecedores, etc
i) Serviços de impacto:
· Avaliação - plano de avaliação continua, recolha de dados, divulgação de resultados (incluindo na região)
· Comunicação e marketing social
· Divulgação e promoção do telecentro por via de encontros nas comunidades, folhetos, publicidade na rádio, actividades promocionais (eg cerimónia de inauguração, oferta de serviços, etc)
· Criação e monitoração de uma estratégia de negócios (análise de necessidades, política de preços, etc)
· Networking com parceiros locais e provinciais (stakeholders) - workshops e seminários - para avaliar resultados, introduzir corecções, etc

15.4. Papel do CIUEM

O CIUEM tem o papel de coordenação, assessoria, formaçao, apoio técnico e gestão central das actividades e dos fundos do projecto. Este papel será mais intenso durante o primeiro período de instalação e montagem dos telecentros e o primeiro ano de actividades, depois reduzindo-se progressivamente. A gestão efectiva dos telecentros será nas mãos dos respectivos donos a partir do início, com excepção do telecentro de Gondola.

Esta área de trabalho abrange contactos regulares com os parceiros locais, visitas de assessoria e supervisão, visitas técnicas (manutenção de 3a linha), execução do orçamento global, recepção de relatórios e prestações de contas dos parceiros locais, preparação de relatórios e coordenação com o doador, etc. Durante o período de instalação e arranque o CIUEM responsabilizar-se-á para o processo de acquisição do equipamento, ensaios, a montagem técnica dos telecentros e a formação do pessoal.

Outra tarefa do CIUEM, não menos importante, é a orientação e implementação de um programa contínuo de pesquisa e avaliação, e a disseminação atempada dos seus resultados. Prevê-se o desenho e introdução de instrumentos específicos para garantir a recolha de dados estatísticos e outros ao nível dos telecentros. Estes serão complementados por actividades periódicas de trabalho de campo: inquéritos, entrevistas, observação participatória, etc. No terceiro ano realizar-se-á uma avaliação externa de maior envergadura, abrangendo não só os resultados nos telecentros mas também aspectos inerentes à gestão do projecto, etc.

No âmbito dos Serviços de Impacto, o trabalho de avaliação será conjugado com as actividades de Networking, uma vez que os encontros entre os diversos telecentros e entre estes e os seus parceiros e utentes constituirão momentos importantes para a discussão e análise dos resultados das investigações e a tomada de medidas correctivas quando for preciso. Disseminação e Marketing igualmente entra aqui: publicações a nível central, a tradução de relatórios para poderem ser úteis na região, apoio na elaboração de estratégias locais de marketing, etc. Na área de Product Development, prevê-se tanto apoio directo aos telecentros no desenvolvimento de novos serviços, como a implementação de iniciativas visando a elaboração de planos de negócios, estudos de viabilidade, etc.

A terceira área de intervenção directa do CIUEM, também ligada com as anteriores, é no capítulo de Políticas Nacionais. Uma vez que a Política Nacional de Informática só foi aprovado pelo governo em Dezembro de 2001, está-se a iniciar a fase de implementação, e será importante trazer as experiências dos telecentros-piloto ao debate sobre prioridades e encorajar a tomada de medidas concretas visando facilitar a extensão de acesso público às TICs para mais zonas do país. Neste contexto, prevê-se a realização de mesas redondas para circulos decisores e jornalistas no fim do primeiro ano do projecto, e uma Reunião Nacional de Telecentros no segundo ano que juntará todos os actores a nível nacional pela primeira vez.

 
 
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  Última actualização: 15 de Fevereiro de 2002
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