ESTUDO DE VIABILIDADE E PROJECTO
DE INSTALAÇÃO DE DOIS TELECENTROS-PILOTO NA PROVÍNCIA
DE MAPUTO - MANHIÇA E NAMAACHA
Maputo,
Abril 1998 Relatório final
IV.
A SELECÇÃO DOS LOCAIS PARA A INSTALAÇÃO DOS TELECENTROS-PILOTO
4.1.
Introdução
Só
foi possível adiantar a discussão sobre a selecção dos locais depois da
definição preliminar dos objectivos e da natureza do telecentro. Em função
desta definição, passou-se à discussão dos indicadores que serviriam como
base objectiva para a análise e decisão, e das metodologias a utilizar na
recolha da informação necessária. Mais uma vez, partimos de uma proposta
que foi amadurecida e emendada ao longo do trabalho. Um aspecto que deve
ser mencionado aqui é a importância atribuída pela equipe ao avanço com
um terceiro telecentro-piloto, desta vez longe de Maputo, o mais cedo possível.
De preferência, seria de iniciar esta nova fase ainda durante o período
de pilotagem dos primeiros dois telecentros.
4.2.
Indicadores
Os
indicadores tinham que servir em primeiro lugar para a elaboração de uma
lista de locais potenciais ("short list"). A este respeito, a equipe constatou
a necessidade de estabelecer um grupo de indicadores gerais referentes às
condições para a instalação de um telecentro, e um outro grupo referente
às condições específicas exigidas por um projecto piloto. No primeiro grupo
foram identificados 8 indicadores:
(i)
grau de desenvolvimento sócio-económico actual
(ii)
potencial sócio-económico
(iii)
existência de um leque de utentes potenciais
(iv)
meios actuais utilizados para comunicação
(v)
viabilidade técnica (vi) viabilidade económica
(vii)
interesse local
(viii)
particularidades (factores únicos ao local)
Considerando
as necessidades dos pilotos, acrescentámos os seguintes pontos:
(i).viabilidade
técnica imediata
(ii)
possibilidades de instalação e entrada em funcionamento a curto prazo
(iii)
acesso fácil ao apoio/assessoria e manutenção
(iv)
facilidades para testagens e pesquisas
(v)
o "factor sucesso"
4.3.
Metodologia
Como
já foi referido, uma preocupação da equipe, desde o início, foi a de realizar
o seu trabalho de modo a não levar a um gasto desnecessário de tempo por
parte dos interlocutores, sobretudo a nível local, nem levantar expectativas
falsas. Hoje em dia cada distrito tem a sua experiência de ser repetidamente
solicitado a fornecer os mesmos dados por pessoas e organizações diferentes,
e de ouvir promessas de acções que nunca vêm a ser concretizadas. Tendo
em conta que, indo pelo método de selecção a partir de uma lista preliminar,
era inevitável trabalhar em alguns locais que não seriam escolhidos, optámos
por um trabalho em fases:
(i)
a recolha de informação a nível central (documental e contactos), que permitiria
uma primeira selecção sem ter que visitar os locais excluidos;
(ii) a organização prévia da informação recolhida para evitar a duplicação
de pedidos de informação ao nível local;
(iii)
visitas a cada local ainda constante na lista;
(iv) análise dos resultados e decisão. O trabalho de campo aprofundado só
devia ser realizado nos dois locais escolhidos.
4.4.
Definição da lista preliminar
É
de recordar que nos termos de referência do IDRC determinou-se que os 2
telecentros-piloto seriam localizados em zonas próximas da Cidade de Maputo.
Por outro lado, aquando da elaboração da proposta do presente estudo de
viabilidade, foi discutida e apresentada uma lista preliminar de 8 locais
possíveis. A equipe decidiu tomar esta lista como o seu ponto de partida,
mas sem excluir outras propostas. Ao mesmo tempo, reconheceu a necessidade
de diminuí-la, desde já, para um máximo de 6 locais. A lista inicial abrangeu
os seguintes locais:
Namaacha
Catembe
Boane
Moamba
Manhiça
Xai-Xai
Bairro
Jorge Dimitrov, Maputo
Zonas
Verdes, Maputo
Face
à discussão já realizada, decidiu-se excluir os bairros e arredores de Maputo.
A justificação da sua inclusão assentava no argumento de que estas zonas,
desde muitos pontos de vista, conduzem as suas vidas de uma forma praticamente
autónoma da cidade de cimento. Não obstante esta realidade sentiu-se, por
um lado, que do ponto de vista do piloto estes bairros não são muito representativos,
e, por outro, que em todo caso o polo de atracção, local de trabalho e local
de resolução de problemas é em grande medida a cidade de cimento. A médio
prazo, pelo menos, a população destes bairros teria melhores hipóteses de
acesso às TCIs por outras vias, incluindo a via comercial e a via escolar.
Nesta
ordem de ideias, foram excluidos o Bairro Jorge Dimitrov, as Zonas Verdes
e Catembe (oficialmente parte do Distrito Urbano N° .1).
A
Cidade de Xai-Xai não foi excluida da fase de pesquisa documental, havendo
um argumento a favor de uma viabilidade maior, e de uma eventual colaboração
ou sinergia com a rádio local. Entretanto, a equipe era da opinião de que,
se as condições mínimas existissem nas vilas, do ponto de vista do projecto,
seria preferível trabalhar naquele nível.
Também
existe a perspectiva das cidades virem a ser palco de iniciativas comerciais
na área das TCIs.
Não
obstante estes argumentos, a Cidade de Chokwé foi acrescentada à lista,
considerando que não se trata de uma capital provincial, e, potencialmente,
reune as condições exigidas para a instalação do telecentro.
4.5.
A recolha de informação
Foram
contactadas as entidades e principais organizações que têm actividades nos
locais constantes da lista: Ministérios, Direcções Nacionais e Provinciais,
instituições estatais, ONGs, Faculdades da UEM, etc. O objectivo, em cada
caso, era de solicitar informações e dados que nos ajudassem a caracterizar
os locais à luz dos nossos indicadores, e saber da existência de estruturas
ou organizações a nível de cada local. Assim, procurou-se uma informação
sobre o estado actual das infraestruturas básicas, nomeadamente, telecomunicações
e energia; a base sócio-económica; a presença de organizacões da sociedade
civil; planos e projectos de desenvolvimento; e factores especiais. Também
se fez uma recolha de dados de base em termos de demografia e geografia.
Em
paralelo com os contactos institucionais, foram feitos alguns contactos
individuais com informadores com conhecimentos profundos ou experiência
de trabalho nos locais, na procura, não só de informação, mas também de
sensibilidades e de sugestões.
Foram as seguintes as entidades contactadas:
elecomunicações
de Moçambique (TDM) - sede e provincial
Electricidade
de Moçambique (EDM) - sede e provincial
Instituto
de Comunicação Social (ICS)
Ministério
do Plano e Finanças (MPF)
Unidade
de Alívio da Pobreza (UAP)
Gabinete
Central de Recenseamento (GCR)
Instituto Nacional de Planeamento Físico (INPF)
Organização
Nacional e Professores (OTM)
Organização de Trabalhadores Moçambicanos (OTM)
Fórum Mulher
Progresso
Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural (INDER)
Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
Associação
de Industriais de Moçambique (AIMO)
Ministério das Obras Públicas e Habitação (MOPH)
Organização
Rural e Ajuda Mútua (ORAM)
Associação
Moçambicana para Desenvolvimento Rural (AMODER)
Os
informadores individuais mais importantes foram Lina Magaia (Manhiça), Yussuf
Adam (Moamba), Ruy Balthasar e António Rocha (Namaacha), Carlos Felner (Boane)
e António Carrasco (Director do Instituto de Comunicação Social).
A
nível documental, foi particularmente útil ter acesso, ainda antes da sua
publicação, aos Perfis Distritais referentes aos distritos em causa editados
pelo PNUD/ACNUR em Maputo. Os estudos realizados pelo Instituto de Comunicação
Social e pelo Centro de Estudos da População/UEM, na Provincia de Maputo,
serviram igualmente de pano de fundo para o nosso trabalho. O Gabinete Central
de Recenseamento forneceu os resultados preliminares do Censo de 1997 por
distrito.
4.6.
Análise das informações
A
equipe reuniu todas as informações e elaborou um quadro comparativo. Constatou-se,
logo à partida, a existência de divergências entre as várias fontes, desde
o número de escolas ou lojas até as actividades das ONGs. No entanto, na
base do material existente, chegou-se à conclusão que se justificava manter
os 4 distritos da Província de Maputo - Namaacha, Boane, Manhiça e Moamba
- na lista preliminar. Decidiu-se excluir Xai-Xai, em definitivo, por não
ter encontrado nenhum factor especial a seu favor para contrapôr as dúvidas
existentes e a sua distância de Maputo. Chókwè também foi excluida nesta
fase. Decidiu-se que os factores a seu favor não eram muito diferentes dos
dos outros distritos, e as desvantagens, do ponto de vista do piloto, de
estar consideravelmente mais distante de Maputo, e de trazer a necessidade
de lidar com mais um governo provincial, eram relevantes. No contexto sul-centro-norte,
não nos parecia haver grandes implicações numa opção para Maputo em vez
de Gaza (uma opção para a Cidade de Maputo podia ter sido mais problemática).
O
material recolhido durante esta fase foi incorporado na documentação preparada
para as primeiras visitas aos 4 distritos, e nos anexos, detalhando a situação,
que em cada distrito fundamenta a decisão tomada, pelo que não será apresentado
em pormenor aqui. Vale a pena referir que a partir desta análise preliminar
a equipe estava mais virada para Manhiça, Boane e Moamba, na base sobretudo
do potencial económico constatado, e de factores particulares tais como
a prevista autarquização de Manhiça e o projecto da Rádio Comunitária em
Moamba. A particularidade de Namaacha era a presença de várias instituições
de educação, mas havia dúvida sobre o raio de influência da vila e consequente
base de apoio para o telecentro.
4.7.
Levantamento na UEM
No
contexto da discussão sobre o leque de utentes potenciais nos distritos,
as suas necessidades e os seus hábitos actuais de comunicação, surgiu a
ideia de atacar o problema do lado oposto. Ou seja, no caso concreto, procurar
saber como é que estudantes na UEM (um número crescente dos quais tem acesso
a e-mail) costumam contactar com os seus familiares nos locais da nossa
lista preliminar.
O
objectivo desta iniciativa não ia para além de buscar uma sensibilidade;
não se tratava de um levantamento científico. Aliás, a maior preocupação
era a de rapidez, porque tínhamos interesse em conseguir alguns resultados
antes da ida aos distritos. Nesta ordem de ideias, decidiu-se fixar em cada
Faculdade e residência estudantil um cartaz solicitando os estudantes oriundos
dos 4 distritos em causa a preencher as suas respostas, anonimamente, no
próprio cartaz. As perguntas eram: Que distrito? Que familiares? Como costuma
comunicar com eles? Quantas vezes? (anexo 2) Infelizmente esta iniciativa
só foi pensada e implementada na última semana de aulas, imediatamente antes
dos exames em Dezembro, pelo que já não havia muitos estudantes no campus.
No entanto, as poucas respostas recebidas (36) mostraram que os estudantes
com familiares em Manhiça ou Namaacha usam o telefone como principal meio
de contacto (em média com chamadas quinzenais), e visitam mensalmente, enquanto
os com familiares em Boane costumam ir pessoalmente em vez de telefonar.
Quase 60% das respostas relevantes (referentes aos nossos 4 distritos) indicaram
Manhiça como local dos seus familiares, e ninguém indicou Moamba.